Goiânia, 13 de maio de 2008

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Cristina Cabral

Carro estacionado em local proibido e sobre a calçada: sensação de impunidade nas ruas

Falta de agentes de trânsito nas ruas continua problema grave

Nove meses depois de reportagem mostrar situação, presença em pontos de grande movimento continua baixo. SMT diz que tem só 134 agentes para organizar trânsito

Rosane Rodrigues da Cunha

Em agosto do ano passado, O POPULAR percorreu várias ruas de Goiânia e constatou que, apesar do trânsito caótico em diversos pontos, o número de agentes em atuação era inferior à necessidade da capital. E mais: a presença nas ruas dos poucos agentes que integram o quadro da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) era rara. Ontem, a reportagem voltou a percorrer as principais avenidas da cidade e verificou que a situação está ainda pior.

Durante mais de duas horas, foram percorridos cerca de 40 quilômetros entre os Setores Serrinha, Bueno, Oeste, Sul, Centro, Nova Vila, Universitário, Pedro Ludovico, Nova Suíça e Campinas. Nenhum agente foi encontrado na maioria das ruas, todas com grande movimento e, muitas, palco de repetidas infrações por parte dos motoristas, como o avanço de semáforo, estacionamento em calçadas e a falta do cartão da área azul nas vagas demarcadas.

Ao longo do percurso, o carro da reportagem cruzou com apenas três equipes da SMT. Um dos carros trafegava pela Avenida Paranaíba, próximo à Rua 68. Outro, estava estacionado na esquina das Avenidas Anhanguera e Tocantins. O terceiro veículo com a equipe de agentes estava na Avenida T-63, próximo à Praça Wilson Sales (Nova Suíça), onde um carro de passeio tinha colidido com um caminhão e o trânsito estava congestionado.

A ausência dos agentes nas ruas revela um problema já mostrado pelo jornal, denunciado pelo sindicato da categoria e admitido pelo titular da SMT, coronel Paulo Afonso Sanches: o déficit no quadro de pessoal da superintendência. Resolução do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estabelece a contratação de um agente de trânsito para cada mil veículos.

Em Goiânia, essa relação é quase sete vezes menor. De acordo com a SMT, a frota da capital gira em torno de 800 mil veículos. O número de agentes é 134. Quase metade do número contratado no único concurso público realizado pelo órgão em 1998.

“Nesse concurso, foram contratados cerca de 200 agentes”, diz o superintendente, ressaltando que, na época, as contratações já eram insuficientes para atender à frota goianiense. Com o aumento dos veículos pesados, carros e motos nas ruas e o afastamento de parte dos concursados, o déficit cresceu.

Um novo concurso público, que poderia solucionar ou pelo menos amenizar o problema, já foi descartado em 2008. “Não faremos concurso em ano eleitoral”, diz Paulo Sanches, que reconhece a urgência de novas contratações. “O próximo prefeito terá de fazer um concurso”, avisa.

Com o quadro reduzido, segundo o superintendente, a SMT tem priorizado suas ações. O atendimento a acidentes de trânsito é uma delas. São oito equipes designadas para esse serviço. Pane em semáforos é outra prioridade. O convênio com a Polícia Militar, diz Paulo Sanches, ajuda a suprir deficiências, mas a fiscalização está aquém do que deveria, o que favorece a ocorrência de infrações .

O tumulto nas portas das escolas é um dos graves problemas do trânsito na capital que a SMT reconhece não ter a fiscalização devida. “São muitas escolas e não temos condições de fiscalizar todas”, diz. Outro problema, de acordo com ele, são as solicitações de interdição do trânsito para a realização de corridas e outros eventos. “Agora, começam os pedidos para a interdição de ruas para a promoção de festas juninas”, diz o superintendente. Para tentar sanar o problema, a SMT está elaborando um roteiro para a realização de maratonas.

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