Avanço do crédito incrementa
vendas da indústria goianaNo
primeiro trimestre deste ano, o setor industrial
do Estado vendeu quase 18% mais que em 2007
Lúcia Monteiro
A excessiva facilidade com que o consumidor brasileiro tem
tido acesso ao crédito ajudou a elevar em quase 18% as vendas da indústria goiana nos
três primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2007. Mas o setor
produtivo teme que esta expressiva movimentação não dure muito tempo. O temor é que a
valorização do real sobre o dólar e o aumento da taxa de juros por parte do Comitê de
Política Monetária (Copom) possam influenciar as vendas industriais nos próximos meses.
O problema é que as medidas adotadas para conter a inflação pretendem reduzir o ritmo e
o volume das operações de crédito.
Por conta da expansão do crédito, somente no mês de
março, as indústrias goianas venderam 8,06% mais que no mesmo período do ano passado,
segundo a Pesquisa Indicadores Industriais da Federação das Indústrias de Goiás
(Fieg). Estimativas indicam que a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) passou de
24% no segundo semestre de 2004 para atuais 35%.
Demandas
Com o bom desempenho do setor da construção civil, também impulsionado pelo crescente
crédito imobiliário, as vendas das indústrias de produtos metálicos cresceram 129,4%
no primeiro trimestre. O setor está aquecido em todo País e algumas indústrias de
Goiás vendem para muitos Estados, explica o coordenador técnico da Fieg, Welington
da Silva Vieira.
Na Açonobre, que produz esquadrias metálicas para
produção de portas e janelas principalmente para o mercado varejista da construção
civil, as vendas cresceram 57% no trimestre. Para sustentar este crescimento, o gerente
comercial da empresa, Sérgio Moreira, informa que a indústria elevou em 15% o número de
funcionários, que hoje soma 140 pessoas. Com o aumento da demanda, a Açonobre tem um
projeto para se mudar para novas instalações numa área com 20 mil metros quadrados,
contra 6 mil metros atuais, e produzir mais.
O segundo melhor desempenho no período foi o das indústrias
extrativas, cujas vendas cresceram 49,5%, com destaque para produtos como calcário e
fosfato para a produção de fertilizantes, que está em alta. Welington explica que essa
indústria retomou o ritmo para atender o aumento da demanda mundial do mercado de
alimentos.
As atividades ligadas à produção agrícola só
tendem a crescer com os preços em alta e a perspectiva de escassez de alimentos,
explica o coordenador técnico da Fieg. Ele lembra que, em 2007, as quebras de safras no
mundo vieram acompanhadas do aumento da demanda em países como China e Índia. Por isso,
as perspectivas para a produção goiana são muito boas. Quase todos os setores
industriais de Goiás tiveram bom desempenho no bimestre, com exceção de produtos
químicos e metalurgia básica, por causa do câmbio.
Apesar do crescimento das vendas, a indústria goiana operou
com 77,76% de sua capacidade instalada em março. Segundo Welington, a utilização da
capacidade instalada caiu 5,06% no trimestre porque as empresas usufruem de investimentos
feitos na expansão da capacidade produtiva, que resultou no aumento da produtividade.
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