Goiânia, 13 de maio de 2008

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Avanço do crédito incrementa
vendas da indústria goiana

No primeiro trimestre deste ano, o setor industrial
do Estado vendeu quase 18% mais que em 2007

Lúcia Monteiro

A excessiva facilidade com que o consumidor brasileiro tem tido acesso ao crédito ajudou a elevar em quase 18% as vendas da indústria goiana nos três primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2007. Mas o setor produtivo teme que esta expressiva movimentação não dure muito tempo. O temor é que a valorização do real sobre o dólar e o aumento da taxa de juros por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) possam influenciar as vendas industriais nos próximos meses. O problema é que as medidas adotadas para conter a inflação pretendem reduzir o ritmo e o volume das operações de crédito.

Por conta da expansão do crédito, somente no mês de março, as indústrias goianas venderam 8,06% mais que no mesmo período do ano passado, segundo a Pesquisa Indicadores Industriais da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg). Estimativas indicam que a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) passou de 24% no segundo semestre de 2004 para atuais 35%.

Demandas
Com o bom desempenho do setor da construção civil, também impulsionado pelo crescente crédito imobiliário, as vendas das indústrias de produtos metálicos cresceram 129,4% no primeiro trimestre. “O setor está aquecido em todo País e algumas indústrias de Goiás vendem para muitos Estados”, explica o coordenador técnico da Fieg, Welington da Silva Vieira.

Na Açonobre, que produz esquadrias metálicas para produção de portas e janelas principalmente para o mercado varejista da construção civil, as vendas cresceram 57% no trimestre. Para sustentar este crescimento, o gerente comercial da empresa, Sérgio Moreira, informa que a indústria elevou em 15% o número de funcionários, que hoje soma 140 pessoas. Com o aumento da demanda, a Açonobre tem um projeto para se mudar para novas instalações numa área com 20 mil metros quadrados, contra 6 mil metros atuais, e produzir mais.

O segundo melhor desempenho no período foi o das indústrias extrativas, cujas vendas cresceram 49,5%, com destaque para produtos como calcário e fosfato para a produção de fertilizantes, que está em alta. Welington explica que essa indústria retomou o ritmo para atender o aumento da demanda mundial do mercado de alimentos.

“As atividades ligadas à produção agrícola só tendem a crescer com os preços em alta e a perspectiva de escassez de alimentos”, explica o coordenador técnico da Fieg. Ele lembra que, em 2007, as quebras de safras no mundo vieram acompanhadas do aumento da demanda em países como China e Índia. Por isso, as perspectivas para a produção goiana são muito boas. Quase todos os setores industriais de Goiás tiveram bom desempenho no bimestre, com exceção de produtos químicos e metalurgia básica, por causa do câmbio.

Apesar do crescimento das vendas, a indústria goiana operou com 77,76% de sua capacidade instalada em março. Segundo Welington, a utilização da capacidade instalada caiu 5,06% no trimestre porque as empresas usufruem de investimentos feitos na expansão da capacidade produtiva, que resultou no aumento da produtividade.

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