| TRABALHO Cai distância entre pisos salariais e o mínimo
Um estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e
Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado ontem, destacou a existência de uma
tendência de aproximação dos pisos salariais e do salário mínimo oficial, percebida
no ano passado. Em Goiás, 64,3% dos pisos salariais conquistados em acordos e
convenções coletivas, estabelecidos em 14 processos de negociação, atingiram até 1,25
salário mínimo.
As negociações restantes (35,7%) concentraram-se (28,6%) na
faixa entre 1,26 a 1,5 salário mínimo, o que mostra a aproximação dos pisos ao
salário mínimo.
A supervisora técnica do Dieese em Goiás, Leila Brito,
atribuiu a tendência de aproximação do mínimo e do piso aos efeitos da política de
recuperação do salário mínimo, que tem resultado em sucessivos reajustes em
porcentuais superiores à inflação. De acordo com os números do IBGE, o aumento real do
mínimo entre 2005 e 2007 foi de 19%, cita a entidade.
Segundo ela, a política de reajustes acima da inflação
resultou da campanha desenvolvida pelas centrais sindicais, com objetivo de
implementação de uma política efetiva de recuperação para o mínimo nacional.
Este mecanismo tem inegavelmente contribuído para elevar os pisos menores, enquanto
tem aproximado os maiores pisos de categoria ou funções ao salário mínimo
oficial, frisa.
Preocupação
No País, de acordo com a entidade, este movimento vem ocorrendo já há alguns anos, mas
a proporção de categorias profissionais cujo piso negociado não supera o mínimo em 25%
aumentou consideravelmente. No atual cenário de valorização do
salário mínimo, essa aproximação significa que os pisos, embora tenham evoluído de
maneira positiva, não asseguraram ganhos reais na mesma proporção que os aplicados ao
salário mínimo oficial, avaliou o Dieese.
O documento mostra que em 77% dos casos de negociação no
ano passado, o patamar de 1,5 salário mínimo não foi ultrapassado, enquanto 56%
atingiram no máximo 1,25 salário mínimo. Apenas 2% das negociações chegaram a um piso
superior a três mínimos.
Na comparação com os dados de 2005 e 2006, a proporção de
negociações cujos pisos atingiram 1,25 salário mínimo passou de 25% em 2005 para 56%
em 2007. Neste contexto, diminuiu a proporção de categorias que chegaram a um piso
superior a 2,5 salários mínimos, passando de 9,5% em 2005 para 4,5% no ano passado. |