Lideranças goianas afirmam
que pacote ainda não é suficienteMariza Santana
A nova política industrial do governo federal anunciada
ontem, chamada Política de Desenvolvimento Produtivo, está no caminho certo. Possui
metas ambiciosas de aumento do investimento fixo e em pesquisa e desenvolvimento, e para
as exportações. Mas ainda não é suficiente para acelerar o desenvolvimento do setor.
Essa é a avaliação de lideranças de classe goianas, que
fizeram uma análise preliminar da medida, uma vez que o documento completo com as ações
não estava disponível ontem.
Para o presidente do Conselho da Associação
Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), Alberto Borges, em linhas gerais, a
direção da nova política industrial é adequada. Mas a dose é pequena. Isso não
ajuda fortemente o setor industrial, principalmente o exportador, que sofre com o atual
cenário de dólar baixo, avalia.
Para Alberto Borges, as medidas não terão o impacto
necessário para agregar valor aos produtos brasileiros. Ele lembra que o País está
ficando extremamente dependente da exportação de commodities (produtos agrícolas
primários e minerais), o que no futuro poderá tornar-se um problema para o governo.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fieg),
Paulo Afonso Ferreira, quer um estudo mais detalhado da nova política industrial. Ele
considera importantes as quatro principais metas, com destaque para o aumento dos
investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Mas como chegar lá?,
questiona o empresário.
Para implementar as medidas com rapidez será necessário
recorrer a medidas provisórias (MP). O presidente da Fieg lembra que o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá papel importante nessa política,
portanto é preciso diminuir sua burocracia. Ele cobra um detalhamento da política e de
que forma ela será implementada.
O foco no aumento das exportações é positivo, segundo o
presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Pedro Bittar. Mas ele
ressalta que é preciso reduzir as taxas de juros para incentivar os investimentos.
O plano ainda é tímido, precisa avançar mais.
Segundo Bittar, o governo poderia ter sido mais ousado. A
melhor notícia, aponta, é a eliminação da incidência do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) nos financiamentos do BNDES. |