| Mais uma tragédia atinge a Ásia Depois do ciclone que devastou Mianmá, um terremoto na China mata mais de 10
mil pessoas
Pequim - O centro da China foi atingido
ontem por um forte terremoto de 7,9 graus na escala Richter, que provocou a morte de quase
10 mil pessoas e tremores de terra na maior parte do país e em regiões vizinhas, como
Tailândia, Vietnã e Paquistão.
O número de vítimas pode ser bem maior, já que até o
início da madrugada de hoje (tarde de ontem no Brasil) as equipes de resgate não haviam
conseguido chegar ao epicentro do terremoto, Wenchuan, que tem 112 mil habitantes e fica
146 quilômetros a noroeste de Chengdu, capital da Província de Sichuan, uma região
bastante montanhosa.
Novecentos adolescentes foram soterrados com o desabamento de
uma escola na cidade de Dujiangyan, em Sichuan. Pelo menos outras cinco escolas
desmoronaram. Segundo as informações disponíveis até a noite de ontem no Brasil, o
local que sofreu mais danos foi o distrito de Beichuan, também em Sichuan, onde 80% dos
edifícios desabaram e entre 3 mil e 5 mil pessoas morreram - a população total é de
160 mil habitantes. Segundo o governo chinês, há registros de vítimas nas províncias
de Gansu, Chongqing e Yunnan.
Na cidade de Shifang, também em Sichuan, centenas de pessoas
foram soterradas com o desabamento de duas indústrias químicas, que provocou o vazamento
de 80 toneladas de amônia e forçou a retirada de 6 mil pessoas.
O tremor começou às 14h28 de ontem, horário local (1h28 de
Brasília). Sete minutos depois, um novo terremoto de menor intensidade - 3,9 pontos na
escala Richter - foi registrado em Pequim.
Várias cidades em diferentes regiões do país foram
atingidas. Em todas elas, milhares de moradores e empregados de empresas deixaram os
edifícios onde estavam e foram para as ruas, com medo de mais tremores.
Em Xangai, o mais alto edifício da cidade, a Jin Mao Tower,
de 88 andares, foi esvaziado. Em Pequim, as principais avenidas estavam ocupadas por
grupos de pessoas que haviam abandonado os prédios e se reuniam nas calçadas, enquanto
carros de bombeiros passavam com as sirenes ligadas.
Cerca de 5 mil oficiais e soldados do Exército de
Libertação Popular e 3 mil policiais viajaram para Wenchuan, o epicentro do terremoto,
onde coordenariam as operações de emergência.
A possibilidade de os tremores se repetirem durante a noite
manteve várias pessoas nas ruas. Segundo o jornal oficial China Daily, funcionários de
hotéis na cidade orientavam os hóspedes a ficarem fora de seus quartos e muitos deles
estavam reunidos nos andares térreos. Depois do terremoto principal, outros tremores de
menor intensidade, réplicas do terremoto principal, foram sentidos na região.
Vários vôos foram cancelados e a as linhas telefônicas,
interrompidas. A produção de várias fábricas de automóveis foi interrompida. Em
Pequim e Xangai, alguns trabalhadores tiveram de deixar os prédios de escritórios.
Como medida de precaução, a Ford informou ter suspendido
brevemente as operações numa fábrica de veículos na cidade de Chongqing. Seis
subestações transformadoras de energia e cinco usinas foram desconectadas da rede de
distribuição após o terremoto. O aeroporto internacional de Chengdu, capital da
província de Sichuan, foi fechado e os vôos estavam sendo desviados. (Agência
Estado)
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