Goiânia, 13 de maio de 2008

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Bolívia realiza referendo revogatório em 90 dias

La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, promulgou ontem uma lei que convoca para daqui a 90 dias um referendo revogatório, por meio do qual os eleitores do país decidirão se desejam ou não a continuidade dos mandatos do chefe de Estado, do vice-presidente e dos governadores dos nove Estados.

Morales sancionou ontem a lei aprovada pelo Parlamento boliviano na semana passada e informou que o plebiscito ocorrerá em 10 de agosto deste ano, caso imprevistos não ocorram. O objetivo do referendo é encerrar a crise política que afeta o país sul-americano há cerca de um mês.

“Promulgo a lei por respeito à Constituição, ao Congresso e à legalidade”, declarou o mandatário. Dizendo não temer a vontade dos eleitores, Morales lembrou que esta é a primeira vez na história que a Bolívia realizará um referendo revogatório.

“Que o povo tenha não apenas o direito de eleger seus líderes, mas também o de revogar seus mandatos caso essas autoridades não trabalhem pela população”, declarou o líder boliviano, que apresentou em dezembro último a proposta de realização de um referendo revogatório.

Pela lei sancionada, tanto Morales, quanto o vice-presidente Alvaro García Linera e os nove governadores bolivianos precisarão não apenas obter votação maior do que nas eleições de 2005, mas também conseguir uma porcentagem maior de votos em comparação com o pleito de três anos atrás.

Efeitos
Os políticos que não conseguirem confirmar a continuidade de seus mandatos no voto popular perderão o cargo e novas eleições serão convocadas. Morales conquistou a presidência da Bolívia com 53,7% dos votos nas eleições de 2005. Se 54% dos eleitores votarem contra ele em agosto, ele terá que convocar novas eleições presidenciais.

Todos os governadores bolivianos, no entanto, conquistaram seus cargos com menos de 50% dos votos nas últimas eleições.

O governador de La Paz, José Luis Paredes, da oposição, por exemplo, venceu as eleições em 2005 com apenas 38% dos votos. Se 39% dos eleitores locais votarem contra o seu mandato, ele será afastado do cargo - mesmo que 61% dos eleitores votem a favor da sua permanência no posto. (Agência Estado/AP)

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