Goiânia, 13 de maio de 2008

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As Farc estão no País?

Com mais de 13 mil quilômetros de fronteiras, abrangendo a litorânea e terrestre, é imperioso que as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), assim como os respectivos Serviços de Inteligência, passem a vigiá-las 24 horas. Forças-tarefa de terra, mar e ar, além do respaldo da Polícia Federal e de setores selecionados das polícias Civil e Militar dos Estados ao longo das regiões fronteiriças, devem ser mobilizadas pelo Ministério da Defesa para o desempenho dessa patriótica, indispensável e relevante missão pela causa da soberania e da segurança nacional.

Armando Acioli

Essa vigilância é impositiva porque já existem indicativos de que integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que se sustentam do narcotráfico, passaram a se infiltrar de modo dissimulado no País. Todo cuidado é pouco, pois a narcoguerrilha das Farcs tem o apoio dos pretensos ditadores Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), enquanto Álvaro Uribe (Colômbia) não age com firmeza e se revela omisso sobre elas.

As fronteiras do mundo amazônico com a Bolívia, a Venezuela, a região do Suriname (Norte e Oeste) e o Paraguai (Sul) são as principais áreas geográficas de infiltração do narcotráfico, contrabando de armas e munições e de pirataria. É evidente que em toda a dimensão da fronteira terrestre se impõe a presença permanente de contingentes especializados das Forças Armadas para repelir a entrada de elementos suspeitos das Farc no Brasil.

No Senado já houve denúncias de que componentes da narcoguerrilha das Farc, através de ações camufladas, já estariam acampando em território brasileiro, o que deve ser averiguado com urgência. A mídia já denunciou que a facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC), que age em vários Estados, inclusive em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e não é improvável que também aja em Goiás, seria o elo da ardilosa infiltração de elementos das Farc no País.

Diante das evidências, os ministros da Defesa, Nelson Jobim; da Justiça, Tarso Genro, e sobretudo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não podem ignorar o alto risco do PCC para a sociedade e para a segurança pública. A ação terrorista do PCC se tornou um sério problema para as autoridades policiais. E se as Forças Armadas não forem acionadas para ficar nas fronteiras? O que ocorreria futuramente com o ingresso disfarçado da narcoguerrilha da Colômbia no Brasil? O ministro da Defesa não pode cruzar os braços diante do perigo das Farc.

Por essas e outras razões, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro, militar que comandou a Força de Paz no Haiti, discorda da demarcação contínua das terras na Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ele alerta sobre a defesa da soberania nacional. Os conflitos entre agricultores e índios não podem continuar. Para o general, a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol causa perdas do território de Roraima. A presença de ONGs estrangeiras, a venda de terras na floresta amazônica e seu desmatamento ofendem a soberania. Ademais é um passaporte para influências alienígenas em sua geografia.

O presidente Lula, através de atitude autoritária e desconhecendo a formação nacionalista do comandante militar da Amazônia, mandou o ministro da Defesa adverti-lo pelas críticas que o general fez à política indigenista brasileira, qualificando-a, inclusive, de “lamentável e caótica”. Ao falar no Clube Militar, o general Augusto Heleno afirmou: “O Exército serve ao Estado brasileiro e não ao governo”. É verdade.

O fato é que antes de censurar o comandante militar da Amazônia, que está atento para a defesa da soberania nacional e a integridade do território brasileiro, o presidente Lula deve se preocupar com a escalada da corrupção nos altos escalões de setores públicos e privados do País.

Também é fundamental que seu governo declare guerra ao crime organizado, inclusive o narcotráfico, que chega a envolver juízes em vendas de sentenças judiciais, conforme investigações d a Polícia Federal.

E o principal: mobilizar forças-tarefa de terra, mar e ar para patrulhar as fronteiras, a fim de que, amanhã, não tenhamos um exército clandestino das Farc no Brasil.

Armando Acioli é jornalista.

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