 As Farc estão no País?
Com mais de 13 mil quilômetros de fronteiras, abrangendo
a litorânea e terrestre, é imperioso que as Forças Armadas (Exército, Marinha e
Aeronáutica), assim como os respectivos Serviços de Inteligência, passem a vigiá-las
24 horas. Forças-tarefa de terra, mar e ar, além do respaldo da Polícia Federal e de
setores selecionados das polícias Civil e Militar dos Estados ao longo das regiões
fronteiriças, devem ser mobilizadas pelo Ministério da Defesa para o desempenho dessa
patriótica, indispensável e relevante missão pela causa da soberania e da segurança
nacional.
Armando Acioli
Essa vigilância é impositiva porque já existem indicativos
de que integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que se
sustentam do narcotráfico, passaram a se infiltrar de modo dissimulado no País. Todo
cuidado é pouco, pois a narcoguerrilha das Farcs tem o apoio dos pretensos ditadores Hugo
Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), enquanto Álvaro Uribe (Colômbia) não age
com firmeza e se revela omisso sobre elas.
As fronteiras do mundo amazônico com a Bolívia, a
Venezuela, a região do Suriname (Norte e Oeste) e o Paraguai (Sul) são as principais
áreas geográficas de infiltração do narcotráfico, contrabando de armas e munições e
de pirataria. É evidente que em toda a dimensão da fronteira terrestre se impõe a
presença permanente de contingentes especializados das Forças Armadas para repelir a
entrada de elementos suspeitos das Farc no Brasil.
No Senado já houve denúncias de que componentes da
narcoguerrilha das Farc, através de ações camufladas, já estariam acampando em
território brasileiro, o que deve ser averiguado com urgência. A mídia já denunciou
que a facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC), que age em vários Estados,
inclusive em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e não é improvável que também
aja em Goiás, seria o elo da ardilosa infiltração de elementos das Farc no País.
Diante das evidências, os ministros da Defesa, Nelson Jobim;
da Justiça, Tarso Genro, e sobretudo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não podem
ignorar o alto risco do PCC para a sociedade e para a segurança pública. A ação
terrorista do PCC se tornou um sério problema para as autoridades policiais. E se as
Forças Armadas não forem acionadas para ficar nas fronteiras? O que ocorreria
futuramente com o ingresso disfarçado da narcoguerrilha da Colômbia no Brasil? O
ministro da Defesa não pode cruzar os braços diante do perigo das Farc.
Por essas e outras razões, o comandante militar da
Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro, militar que comandou a Força de Paz no Haiti,
discorda da demarcação contínua das terras na Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ele
alerta sobre a defesa da soberania nacional. Os conflitos entre agricultores e índios
não podem continuar. Para o general, a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol
causa perdas do território de Roraima. A presença de ONGs estrangeiras, a venda de
terras na floresta amazônica e seu desmatamento ofendem a soberania. Ademais é um
passaporte para influências alienígenas em sua geografia.
O presidente Lula, através de atitude autoritária e
desconhecendo a formação nacionalista do comandante militar da Amazônia, mandou o
ministro da Defesa adverti-lo pelas críticas que o general fez à política indigenista
brasileira, qualificando-a, inclusive, de lamentável e caótica. Ao falar no
Clube Militar, o general Augusto Heleno afirmou: O Exército serve ao Estado
brasileiro e não ao governo. É verdade.
O fato é que antes de censurar o comandante militar da
Amazônia, que está atento para a defesa da soberania nacional e a integridade do
território brasileiro, o presidente Lula deve se preocupar com a escalada da corrupção
nos altos escalões de setores públicos e privados do País.
Também é fundamental que seu governo declare guerra ao
crime organizado, inclusive o narcotráfico, que chega a envolver juízes em vendas de
sentenças judiciais, conforme investigações d a Polícia Federal.
E o principal: mobilizar forças-tarefa de terra, mar e ar
para patrulhar as fronteiras, a fim de que, amanhã, não tenhamos um exército
clandestino das Farc no Brasil.
Armando Acioli é
jornalista.
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