Goiânia, 13 de maio de 2008

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A vez dos temakis

Chegam a Goiânia as temakerias, lanchonetes
especializadas em servir uma versão fast food
dos sushis que viraram febre em várias capitais do país

Margareth Gomes

Entrar numa temakeria pela primeira vez é ser convidado a experimentar a culinária japonesa sem se preocupar com a manipulação dos tradicionais pauzinhos – os hashis. À primeira vista, o temaki (um sushi em formato de cone, feito com arroz japonês e recheio, envolto com alga) pode até assustar quem não está habituado à gastronomia japonesa. Afinal, a alga tem uma aparência escura, um cheiro forte que remete a maresia, o cone apresenta uma mistura de ingredientes agridoces e o formato pode causar estranheza.

Essa versão fast food do tradicional sushi, enrolado à mão (e não na tradicional esteira de bambu), com tamanho de 10 a 20 centímetros, peso médio de 130 gramas, com várias opções de recheio e molhos, vem conquistando pessoas por todo o País. Vale destacar que come-se um temaki com a mão, temperando-o com gotas de molho shoyu a cada mordida e com a atenção de dobrar a pontinha do cone para evitar respingos na roupa e na mesa. Não tenha vergonha se os atendentes entram em cena para orientar qual a melhor maneira de provar um temaki.

A febre das temakerias já desembarcou em Goiânia, após transformar-se numa coqueluche de verão no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador e outras capitais do Nordeste. No lugar dos generosos sanduíches, quase uma bomba calórica, os adeptos de uma alimentação saudável saem dos programas noturnos direto para a temakeria mais próxima. Querem saciar a fome sim, mas com uma comida de características mais leves, de preparo rápido (no máximo cinco minutos) e saborosa.

Nos últimos dois meses, três temakerias foram inauguradas na capital, em setores nobres como Oeste e Marista. E vêm mais casas do gênero por aí. Tais estabelecimentos investem numa ambientação com referências à cultura milenar japonesa. Como há empresários que optaram por linhas mais modernas, Outro apelo que não passa despercebido é, óbvio, o cardápio, com múltiplas ofertas de recheios de temakis a preços a partir de 4,50 reais, em versões salgadas (entre 15 a 30 opções) e até doces.

Invenções
Proprietários da Yakimaki Temakeria, no Setor Marista, os empresários André Bernardino, 30 anos, e Bruna Póvoa Cruz contam que fizeram várias pesquisas e viagens ao Rio de Janeiro. Daí avaliaram o potencial do mercado e apostaram na abertura de uma casa de lanche rápido com foco nos temakis. “É uma boa alternativa ao fast food tradicional. Apesar de alguns estranharem o cone, não se intimidam a prová-los”, diz André. Ele garante que a maioria dos clientes sai com a intenção de voltar e testar outros sabores.

Salmão chileno, kani kana, alga, arroz japonês,atum, hadoque, robalo, camarão, polvo, frutos- do-mar, cogumelos são os ingredientes mais comuns usados no preparo dos temakis. Segundo o chef de cozinha Múcio Rochael, 30 anos, um dos três sócios da Tk Temakeria, no Setor Oeste, o cone de sushi é uma novidade que tem tudo para cair no gosto do goianiense. Não é difícil de comer, porque dispensa os tradicionais hashis, que exigem treino e perícia para não derrubar a comida e assim não passar vexame. O que faz que muitos desistam de tentar apreciar a culinária nipônica.

“A forma de cone é prática. E já estamos criando versões vegetarianas como o temaki de rúcula, tomate seco, pepino e manga”, informa Múcio Rochael. Ele comenta que continua pesquisando outras invenções de temakis que podem agradar mais ao paladar do goiano. Um exemplo é temaki de kani kana, que leva na sua composição cebola roxa, pepino, molho de pimenta e castanha de caju.

Depois de trabalhar com um bufê de comida japonesa há sete anos, Sheila Daher decidiu investir em sociedade com o amigo Antônio Gabriel na criação da Mangah Temakeria, recém-inaugurada no Setor Oeste. Ela conta que se encantou com o ambiente leve e cheio de gente bonita das temakerias que visitou no Rio de Janeiro. Para garantir uma concorrência com os pit-dogs, que pululam em cada esquina da capital, Sheila explica que vai realizar uma extensa programação de atividades em comemoração aos cem anos da imigração japonesa.“É um lanche rápido ideal para a madrugada. Um temaki tem valor nutricional e poucas calorias. O saquê e batidas com a bebida também integram o cardápio, que apresenta uma versão doce em que a tapioca substitui a alga”, afirma Sheila. No final deste mês, está prevista a abertura de uma filial da Mangah Temakeria na Fiction Club.

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