Goiânia, 13 de maio de 2008

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Weimer Carvalho

Doracino Naves: intenção de dar continuidade aos projetos de Kleber Adorno na Secult

Sem grandes
mudanças

Representantes de entidades culturais
avaliam que Doracino Naves vai dar
continuidade à gestão de Kleber Adorno
na Secretaria Municipal de Cultura

Edson Wander

A maioria dos dirigentes de entidades culturais de Goiânia ouvida pelo POPULAR fala em “continuidade” na indicação de Doracino Naves para a Secretaria Municipal de Cultura (Secult). Naves foi empossado na pasta na sexta-feira pelo prefeito Iris Rezende, numa solenidade conjunta de novos secretários no Paço Municipal.

Os dirigentes das entidades culturais da capital avaliam que a indicação era “natural” e “esperada”, comentaram a “identificação” de Naves com o ex-secretário Kleber Adorno e evitaram comentar a notícia publicada no sábado pelo POPULAR mostrando a ligação do novo secretário com projetos aprovados no ano passado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, época em que ele presidia a comissão que selecionava esses projetos.

Naves participou de um documentário sobre a imprensa em Goiás como trabalho de final do curso de jornalismo, que ele concluiu recentemente na UCG. O documentário captou R$ 21 mil pela lei para ser realizado. Também no ano passado, dois projetos de patrocínio à igreja Ministério Comunidade Cristã também foram aprovados. Os projetos, no valor total de R$ 33 mil, destinavam-se à captação de patrocínio a um programa de TV (Raízes Jornalismo Cultural) cujo apresentador é o próprio Naves.

Ao POPULAR, o novo secretário negou haver conflito de interesse nos casos e disse que não foi o autor do projeto do documentário e que os patrocínios à igreja não foram concluídos por insucesso na captação. Ele também frisou que seu principal trabalho à frente da Secult “será continuar o grande trabalho que Kleber Adorno vinha executando na secretaria”.

Kleber Adorno deixou a pasta por sugestão do próprio prefeito para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. Aidenor Aires, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, vê com “otimismo” a troca de comando na secretaria. “Acho que era o nome esperado. Ele é identificado com o trabalho que vinha sendo feito por Kleber Adorno na secretaria e com o próprio prefeito. Vejo como otimismo a nomeação dele, uma ruptura nesse momento não seria bom”, disse Aires, que é integrante do Conselho Municipal de Cultura, cuja composição foi indicada em sua quase totalidade pelo prefeito e continua sendo alvo de uma ação no Ministério Público.

Beto Leão, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD – Seção Goiás) ressaltou o “importante trabalho” que Naves já desempenhou pela cultura na época em que foi presidente da Fundação Pedro Ludovico Teixeira (atual Agepel) e como vereador de Goiânia. “Sou amigo dele e acho que ele tem feito um trabalho importante pela cultura ao longo do tempo. Foi ele o autor de uma lei nos anos 80 que acabou abrindo caminho para a criação de eventos como o Festcine em Goiânia. Acho que ele fará um bom trabalho de continuidade da gestão do Kleber Adorno, como a criação do [Centro Municipal de Cultura] Goiânia Ouro”, afirmou Leão.

A presidente da Associação de Amigos do Museu de Arte de Goiânia (Amag), Miriam Baeta, e o presidente da Fundação Otavinho Arantes, o cantor Xexeo, enfatizaram o estilo “conciliador” de Naves e acharam que ele foi “a melhor opção” na substituição. “É uma pessoa muito capacitada, muito íntegro e interessado no que faz. A secretaria vai ganhar muito com ele”, disse Miram Baeta, da Amag.

Para Gilberto Correia, presidente da Associação dos Cantores e Compositores de Goiás (Asccom), a indicação de Naves era previsível e ele vai dar continuidade ao trabalho do ex-secretário. “Mesmo que queira, não terá tempo suficiente para imprimir alguma mudança.”

No coro contrário à maioria dos dirigentes culturais, Eládio Garcia, presidente da Associação Goiana de Cinema e Vídeo (AGCV), é crítico à nomeação e fala em “continuísmo” ao invés de “continuidade”. “Temos um embate com toda a diretoria da secretaria já de muito tempo. A indicação dele não é a continuação, é o continuísmo do que o Kleber Adorno vinha fazendo, uma gestão autoritária e clientelista”, criticou.

Na mesma linha vai Norval Berbari, presidente da Federação de Teatro de Goiás (Feteg). “Ele \[Doracino\] já foi presidente da Fundação Pedro Ludovico Teixeira na época em que o Kleber Adorno foi secretário de Estado da Cultura, era então o braço direito do Kleber. Acho que era um nome natural para a secretaria agora e penso que vai continuar a mesma política que nós combatemos, essa coisa de atender às demandas culturais da cidade no balcão ao invés de implantar critérios democráticos de gestão da cultura”, disse Berbari.

Ontem pela manhã, a assessoria da Secult organizou um café da manhã reunindo funcionários e produtores culturais da cidade para homenagear o novo secretário.

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