Weimer Carvalho

Doracino Naves: intenção de dar
continuidade aos projetos de Kleber Adorno na Secult |
Sem grandes
mudanças
Representantes de entidades culturais
avaliam que Doracino Naves vai dar
continuidade à gestão de Kleber Adorno
na Secretaria Municipal de Cultura
Edson Wander
A maioria dos dirigentes de entidades culturais de Goiânia
ouvida pelo POPULAR fala em continuidade na indicação de Doracino Naves para
a Secretaria Municipal de Cultura (Secult). Naves foi empossado na pasta na sexta-feira
pelo prefeito Iris Rezende, numa solenidade conjunta de novos secretários no Paço
Municipal.
Os dirigentes das entidades culturais da capital avaliam que
a indicação era natural e esperada, comentaram a
identificação de Naves com o ex-secretário Kleber Adorno e evitaram
comentar a notícia publicada no sábado pelo POPULAR mostrando a ligação do novo
secretário com projetos aprovados no ano passado pela Lei Municipal de Incentivo à
Cultura, época em que ele presidia a comissão que selecionava esses projetos.
Naves participou de um documentário sobre a imprensa em
Goiás como trabalho de final do curso de jornalismo, que ele concluiu recentemente na
UCG. O documentário captou R$ 21 mil pela lei para ser realizado. Também no ano passado,
dois projetos de patrocínio à igreja Ministério Comunidade Cristã também foram
aprovados. Os projetos, no valor total de R$ 33 mil, destinavam-se à captação de
patrocínio a um programa de TV (Raízes Jornalismo Cultural) cujo apresentador é o
próprio Naves.
Ao POPULAR, o novo secretário negou haver conflito de
interesse nos casos e disse que não foi o autor do projeto do documentário e que os
patrocínios à igreja não foram concluídos por insucesso na captação. Ele também
frisou que seu principal trabalho à frente da Secult será continuar o grande
trabalho que Kleber Adorno vinha executando na secretaria.
Kleber Adorno deixou a pasta por sugestão do próprio
prefeito para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. Aidenor Aires, presidente do
Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, vê com otimismo a troca de
comando na secretaria. Acho que era o nome esperado. Ele é identificado com o
trabalho que vinha sendo feito por Kleber Adorno na secretaria e com o próprio prefeito.
Vejo como otimismo a nomeação dele, uma ruptura nesse momento não seria bom,
disse Aires, que é integrante do Conselho Municipal de Cultura, cuja composição foi
indicada em sua quase totalidade pelo prefeito e continua sendo alvo de uma ação no
Ministério Público.
Beto Leão, presidente da Associação Brasileira de
Documentaristas (ABD Seção Goiás) ressaltou o importante trabalho
que Naves já desempenhou pela cultura na época em que foi presidente da Fundação Pedro
Ludovico Teixeira (atual Agepel) e como vereador de Goiânia. Sou amigo dele e acho
que ele tem feito um trabalho importante pela cultura ao longo do tempo. Foi ele o autor
de uma lei nos anos 80 que acabou abrindo caminho para a criação de eventos como o
Festcine em Goiânia. Acho que ele fará um bom trabalho de continuidade da gestão do
Kleber Adorno, como a criação do [Centro Municipal de Cultura] Goiânia Ouro,
afirmou Leão.
A presidente da Associação de Amigos do Museu de Arte de
Goiânia (Amag), Miriam Baeta, e o presidente da Fundação Otavinho Arantes, o cantor
Xexeo, enfatizaram o estilo conciliador de Naves e acharam que ele foi a
melhor opção na substituição. É uma pessoa muito capacitada, muito
íntegro e interessado no que faz. A secretaria vai ganhar muito com ele, disse
Miram Baeta, da Amag.
Para Gilberto Correia, presidente da Associação dos
Cantores e Compositores de Goiás (Asccom), a indicação de Naves era previsível e ele
vai dar continuidade ao trabalho do ex-secretário. Mesmo que queira, não terá
tempo suficiente para imprimir alguma mudança.
No coro contrário à maioria dos dirigentes culturais,
Eládio Garcia, presidente da Associação Goiana de Cinema e Vídeo (AGCV), é crítico
à nomeação e fala em continuísmo ao invés de continuidade.
Temos um embate com toda a diretoria da secretaria já de muito tempo. A indicação
dele não é a continuação, é o continuísmo do que o Kleber Adorno vinha fazendo, uma
gestão autoritária e clientelista, criticou.
Na mesma linha vai Norval Berbari, presidente da Federação
de Teatro de Goiás (Feteg). Ele \[Doracino\] já foi presidente da Fundação Pedro
Ludovico Teixeira na época em que o Kleber Adorno foi secretário de Estado da Cultura,
era então o braço direito do Kleber. Acho que era um nome natural para a secretaria
agora e penso que vai continuar a mesma política que nós combatemos, essa coisa de
atender às demandas culturais da cidade no balcão ao invés de implantar critérios
democráticos de gestão da cultura, disse Berbari.
Ontem pela manhã, a assessoria da Secult organizou um café
da manhã reunindo funcionários e produtores culturais da cidade para homenagear o novo
secretário. |