Goiânia, 13 de maio de 2008

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Zuhair Mohamad

Grupo Novos Ébanos faz show à noite, no Chopp 10

Música e protesto

Entidades goianas promovem
caminhada e apresentações culturais
nas homenagens aos 120 anos da
abolição da escravatura no País

Renato Queiroz

Uma grande passeata, às 16h30, saindo da Praça do Trabalhador em direção à Praça Cívica, marcará as homenagens ao 13 de maio, dia em que se comemoram os 120 anos da abolição da escravatura no Brasil. Batizada de 4º Afoxé de Goiânia, a manifestação pretende reunir os grupos culturais afro-descendentes e casas de religiões de matriz africana com o tema Sonho de Um Pioneiro – Abuke, Pai de Todos os Terreiros.

Além da parte religiosa, haverá a participação de grupos de congada, folia de reis, escolas de samba, capoeira, terno de moçambique, comunidades quilombolas, teatro e hip hop. Caravanas de municípios vizinhos se juntarão aos grupos de Goiânia.

O momento principal – o grande afoxé – será na Praça Cívica, em homenagem a um de seus idealizadores, João de Abuk, que em 1992, com outros pais e mães-de-santos como Elmo Rocha, Lázaro Eurípedes, João Grande e Dalva Mendonça, organizou a primeira edição da festa. Afoxé é uma festa considerada profana, mas que reúne de forma harmônica tons de religiosidade africanas, garantindo paz e tranqüilidade. A organização é da Secretaria Estadual de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial, em parceria com a Federação Estadual de Umbanda e Candomblé.

A idéia dos organizadores é refletir sobre o verdadeiro significado do 13 de maio, que para os afro-descendentes é um momento de reflexão sobre as condições de vida dos negros no Brasil desde 1888, quando foi assinada a Lei Áurea. Mostrar que as desigualdades sociais e a necessidade de políticas públicas que reparem as injustiças sociais é urgente.

Show
Já no Chopp 10, às 21 horas, o grupo vocal Novos Ébanos lembrará a data com show especial. O grupo surgiu da vontade do músico Lucas Ceccato em resgatar conhecimentos da música folclórica negra, transmitidos pelo seu pai Nilo Amaro.

Nilo e Seus Cantores de Ébano, como era chamado o grupo sessentista, introduziu a versão brasileira do spirituals, canto afro-religioso dos negros americanos (que deu origem ao blues e ao jazz). Foi, também, precursor da música gospel no Brasil.

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