Zuhair Mohamad

Grupo Novos Ébanos faz show à
noite, no Chopp 10 |
Música e protesto
Entidades goianas promovem
caminhada e apresentações culturais
nas homenagens aos 120 anos da
abolição da escravatura no País
Renato Queiroz
Uma grande passeata, às 16h30, saindo da Praça do
Trabalhador em direção à Praça Cívica, marcará as homenagens ao 13 de maio, dia em
que se comemoram os 120 anos da abolição da escravatura no Brasil. Batizada de 4º
Afoxé de Goiânia, a manifestação pretende reunir os grupos culturais afro-descendentes
e casas de religiões de matriz africana com o tema Sonho de Um Pioneiro Abuke, Pai
de Todos os Terreiros.
Além da parte religiosa, haverá a participação de grupos
de congada, folia de reis, escolas de samba, capoeira, terno de moçambique, comunidades
quilombolas, teatro e hip hop. Caravanas de municípios vizinhos se juntarão aos grupos
de Goiânia.
O momento principal o grande afoxé será na
Praça Cívica, em homenagem a um de seus idealizadores, João de Abuk, que em 1992, com
outros pais e mães-de-santos como Elmo Rocha, Lázaro Eurípedes, João Grande e Dalva
Mendonça, organizou a primeira edição da festa. Afoxé é uma festa considerada
profana, mas que reúne de forma harmônica tons de religiosidade africanas, garantindo
paz e tranqüilidade. A organização é da Secretaria Estadual de Políticas para
Mulheres e Promoção da Igualdade Racial, em parceria com a Federação Estadual de
Umbanda e Candomblé.
A idéia dos organizadores é refletir sobre o verdadeiro
significado do 13 de maio, que para os afro-descendentes é um momento de reflexão sobre
as condições de vida dos negros no Brasil desde 1888, quando foi assinada a Lei Áurea.
Mostrar que as desigualdades sociais e a necessidade de políticas públicas que reparem
as injustiças sociais é urgente.
Show
Já no Chopp 10, às 21 horas, o grupo vocal Novos Ébanos lembrará a data com show
especial. O grupo surgiu da vontade do músico Lucas Ceccato em resgatar conhecimentos da
música folclórica negra, transmitidos pelo seu pai Nilo Amaro.
Nilo e Seus Cantores de Ébano, como era chamado o grupo
sessentista, introduziu a versão brasileira do spirituals, canto afro-religioso dos
negros americanos (que deu origem ao blues e ao jazz). Foi, também, precursor da música
gospel no Brasil.
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