LITERATURA
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O Povo Brasileiro Darcy Ribeiro
(Cia das Letras)
Fala da formação dos brasileiros. Conseguiram difundir a imagem de um
povo pacífico, mas sempre tivemos uma população sanguinária, desde o extermínio dos
índios.
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Paula de Parma

Enrique Vila-Matas: em Paris Não
Tem Fim, autor espanhol constrói o romance de deformação |
Quando Paris acaba
Lucia Bertazzo designer
Paris não tem fim traz a prosa
alusiva do espanhol Enrique Vila-Matas
e, por vias genialmente tortas, faz um
glorioso elogio ao ofício de escritor
André de Leones
Especial para O POPULAR
Há livros que, em tese, são escritos para todo tipo de
leitor, e há livros que são escritos para (ou melhor apreciados por) outros escritores.
Paris Não Tem Fim é um desses livros de escritores, para escritores e sobre escritores.
Isto, entretanto, não o torna hermético ou menos envolvente, divertido e espirituoso.
Afinal de contas, um romance (trata-se mesmo de um romance?) que começa com um concurso
de sósias do escritor Ernest Hemingway pode ser qualquer coisa, menos chato, pedante ou
difícil.
O protagonista e narrador de Paris Não Tem Fim é um
escritor espanhol que, em uma conferência de três dias sobre o tema geral da
ironia, relembra os dias de sua juventude que passou em Paris, alugando uma
água-furtada de ninguém menos que Marguerite Duras, labutando na escrita de seu primeiro
romance e driblando o pai, que só queria que ele desistisse dessa bobagem de
se tornar escritor, retornasse a Barcelona e terminasse o curso de Direito.
O autor, o espanhol Enrique Vila-Matas, é um escritor de,
para e sobre escritores. Não por acaso, seus romances são repletos de citações que, um
pouco à maneira de Borges, nem sempre são confiáveis. Aliás, confundi-lo com o
narrador de Paris Não Tem Fim é muito fácil: o primeiro romance de Vila-Matas, a
exemplo da estréia literária de seu personagem, também se intitula A Assassina
Ilustrada. E é assim, brincando com a própria biografia e com a biografia de inúmeros
outros escritores, que o autor espanhol constrói aquilo que, na orelha do volume,
Cassiano Elek Machado chama, com muita propriedade, de romance de
deformação.
Tanto quanto a de Marguerite Duras, a figura de Ernest
Hemingway permeia boa parte das páginas de Paris Não Tem Fim. Usando, às vezes, o
clássico Paris É Uma Festa como contraponto, Vila-Matas narra, com toda a ironia que lhe
é própria, os anos de deformação de um jovem escritor. Se Hemingway
escreveu que, em Paris, fora muito pobre e muito feliz, Vila-Matas (ou, melhor
dizendo, o narrador-protagonista) entrega logo de cara que, em Paris, foi muito
pobre e muito infeliz.
Em uma das mais agudas passagens do livro, lemos sobre o
desespero do autor de O Velho e o Mar em seus anos de esterilidade criativa e sobre como
isso acabou por levá-lo ao suicídio. Assim, alternando passagens extremamente
engraçadas com trechos viscosos de um desespero lancinante, Vila-Matas esmiúça o
parimento de um autor, talvez ele mesmo, talvez não, e constrói um romance poderoso.
Como não poderia deixar de ser, o próprio desespero é
ridicularizado aqui e ali. Em um dos melhores capítulos do romance (se é que podemos
chamá-lo assim), diz o narrador: Eu achava muito elegante viver no desespero.
Acreditei nisso ao longo desses dois anos que passei em Paris, e na realidade por quase
toda a minha vida, vivi nesse erro até agosto deste ano, que foi quando cambaleou e caiu
definitivamente essa íntima crença na elegância do desespero. Quando ela caiu, foram
caindo pouco depois, como um castelo de cartas, outras crenças menos pitorescas. Como,
por exemplo, a de pensar que a magreza é essencial para ser intelectual e que os gordos
à medida que eu engordava, com grande complexo de culpa, ia pensando cada vez mais
não são poéticos nem podem ser inteligentes (páginas 71-72).
Ciente de que temos toda a eternidade para nos
desesperar, o narrador de Paris Não Tem Fim acaba proferindo, por meio de sua
conferência sobre a ironia, um tremendo elogio do ofício de escritor. Por se tratar de
um ofício torto por natureza, é natural que tal elogio apareça assim, na forma de um
livro difícil, talvez impossível, de ser rotulado. Seja como for, ao final nos deparamos
com o conselho criminoso (e, por isso mesmo, glorioso) de Marguerite Duras:
Você escreva, não faça outra coisa na vida. Amém.
André de Leones é
escritor, autor do romance Hoje Está Um Dia Morto (Record). Mantém o blog http://blog.andredeleones.com.
LIVRO:
¤ Paris Não Tem
Fim
¤ Autor: Enrique Vila-Matas
¤ Páginas: 248
¤ Preço: 45 reais
¤ Editora: Cosac Naify
CURTAS
NOVIDADES
Livros falam da arte de escrever
Você sabe escrever um livro? Se não, ainda há tempo de aprender. Essa
é a idéia vendida por dois livros recentes que têm quase o mesmo nome. A Oficina do
Escritor Sobre Ler, Escrever e Publicar (Ateliê Editorial), de Nelson Oliveira,
dá dicas para estreantes na área. Entre as recomendações estão as de organizar um
grupo de estudos, fundar uma microeditora, participar dos concursos literários e
conquistar a simpatia de um autor veterano. A Editora Martins Fontes lançou obra
semelhante. Escrita pelo norte-americano Stephen Koch, Oficina de Escritores Um
Manual para a Arte da Ficção se propõe a ser um apanhado de orientações sobre a
melhor forma de dar vida às personagens, com a necessidade de, muitas vezes, reescrever o
que já foi criado.
SANDMAN
Quadrinista do herói virá ao Brasil
O quadrinista de uma das criações mais atormentadas, complexas e
instigantes das HQs das últimas décadas vai participar da Festa Literária Internacional
de Paraty (Flip), que será realizada entre 2 e 6 de julho na cidade histórica
fluminense. O autor inglês Neil Gaiman confirmou ontem sua presença e deve ser uma das
maiores estrelas entre os convidados internacionais da edição deste ano do evento. Além
de seu trabalho nos gibis, Gaiman tem se destacado no cinema. Ele é co-roteirista dos
filmes Beowulf e Stardust. No Brasil, as aventuras de Sandman, que foi inspirado no
personagem Morfeu, o deus do sono, são publicadas pela Editora Conrad.
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