Crescimento de Iris assusta
base e PSDB prega coligação com PPTucanos tentam impulsionar a candidatura de Raquel
Teixeira e admitem que falta sintonia entre aliados
Carlos Eduardo Reche
Apesar do discurso de tranqüilidade e de que há tempo para
reverter o favoritismo do prefeito Iris Rezende (PMDB) na disputa pelo Paço Municipal, a
base alia estadual entrou em estado de alerta com a pesquisa Serpes/O POPULAR publicada
ontem. Os números, que mostram crescimento de quase 12 pontos porcentuais do peemedebista
na comparação com levantamento feito em fevereiro, movimentaram principalmente o PSDB da
deputada federal Raquel Teixeira, que perdeu intenções de voto e assumiu a liderança na
rejeição do eleitor, com 19,1%.
As dificuldades da pré-candidata tucana foram o principal
assunto da reunião das executivas estadual e municipal tucanas, pela manhã. Depois do
encontro, o presidente do PSDB de Goiânia, Olier Alves, telefonou para o secretário de
Articulação Política do governador Alcides Rodrigues (PP), Roberto Balestra, e fez um
apelo para que o Palácio das Esmeraldas priorize a aliança entre tucanos e pepistas para
a disputa de 5 de outubro pela Prefeitura.
Segundo a pesquisa, realizada entre os dias 6 e 9, Iris
lidera a corrida ao Paço, com 58,6% das intenções, seguido bem atrás pelo senador
Demóstenes Torres (DEM), com 9,9%, e pelo deputado federal Sandes Júnior (PP), com 7,2%.
O presidente da Agetur, Barbosa Neto, tem 6,4%, acompanhado por Raquel, que tem 6%. Os
outros candidatos somam 2% e os eleitores que votariam em branco, nulo ou não têm
candidato, 10%. A margem de erro é de 4,38 pontos porcentuais, para mais ou para menos.
O crescimento de Iris vem na esteira da decisão do PT de
Goiânia de apoiar a candidatura do peemedebista à reeleição. Já a piora no desempenho
dos quatro principais nomes da base aliada estadual _ além de Raquel, Barbosa,
Demóstenes e Sandes _ coincide com período de pouca movimentação na coalizão em torno
da sucessão ao Paço, marcada pelo distanciamento do governador do processo de
afunilamento.
Reação
No PSDB, o quadro se agravou com a articulação de vereadores do partido pela formação
de uma coligação com o PMDB para a disputa pela Câmara de Goiânia caso os tucanos não
tenham candidato a prefeito. No encontro de ontem, o PSDB se antecipou à movimentação
de sua bancada no Legislativo e afirmou que a coligação não será aprovada pela
executiva metropolitana. Não há a mínima possibilidade de aceitarmos isso,
disse Olier.
Na reunião, ficou acertado que Raquel intensificará o
diálogo com os vereadores e com outros pré-candidatos tucanos à Câmara. A
preocupação é evitar o aumento do desgaste da candidatura da deputada no partido e na
base aliada. Raquel já enfrenta resistências no PP, no PR e no PSB. O próprio Olier vai
atuar como bombeiro junto aos vereadores. No PP, pesa contra a deputada a decisão dela de
deixar o comando da Secretaria da Cidadania, no ano passado, dois meses após assumir o
cargo.
Iris está só na disputa e (os partidos da base)
estamos batendo cabeça, disse Olier ontem à reportagem. O presidente do PSDB diz
que falta sintonia no discurso dos partidos da base aliada, que Alcides e o senador
Marconi Perillo (PSDB) precisam superar as diferenças para que a candidatura da base
tenha sucesso e o governador, se posicionar sobre a sucessão em Goiânia.
Os argumentos do dirigente tucano, que é chefe do gabinete
de trabalho de Alcides na Governadoria, aparentemente não encontram respaldo no
secretário político do palácio. Balestra disse que não há indisposição entre
Marconi e Alcides e que o governador espera que os pré-candidatos cheguem a um acordo que
garanta a unidade.
Barbosa diz que os números da pesquisa apenas refletem
a realidade que Iris quer esconder: que o prefeito é o único candidato lançado à
corrida pelo Paço. Falta o contraponto, afirmou, negando, quando
perguntado, se já se considera candidato a prefeito. Estou avaliando os
cenários, afirmou. A reportagem apurou que Barbosa gravou pílulas para a
propaganda partidária com críticas à administração de Iris e consultou técnicos
sobre a eficiência de obras como o viaduto da Praça do Ratinho. A interlocutores, disse
que o limite do tempo (para decidir se será candidato) está chegando.
Sandes concorda com Barbosa que o bom desempenho de Iris é
resultado da ausência de um contraponto à administração. O eleitor só começa a
pensar na disputa quando o horário eleitoral no rádio e na televisão começar,
diz. Demóstenes tem dito que só será candidato se tiver o respaldo da base aliada e do
governador. Ele ainda não foi confirmado na disputa pelo DEM.
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