Goiânia, 13 de maio de 2008

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Crescimento de Iris assusta
base e PSDB prega coligação com PP

Tucanos tentam impulsionar a candidatura de Raquel
Teixeira e admitem que falta sintonia entre aliados

Carlos Eduardo Reche

Apesar do discurso de tranqüilidade e de que há tempo para reverter o favoritismo do prefeito Iris Rezende (PMDB) na disputa pelo Paço Municipal, a base alia estadual entrou em estado de alerta com a pesquisa Serpes/O POPULAR publicada ontem. Os números, que mostram crescimento de quase 12 pontos porcentuais do peemedebista na comparação com levantamento feito em fevereiro, movimentaram principalmente o PSDB da deputada federal Raquel Teixeira, que perdeu intenções de voto e assumiu a liderança na rejeição do eleitor, com 19,1%.

As dificuldades da pré-candidata tucana foram o principal assunto da reunião das executivas estadual e municipal tucanas, pela manhã. Depois do encontro, o presidente do PSDB de Goiânia, Olier Alves, telefonou para o secretário de Articulação Política do governador Alcides Rodrigues (PP), Roberto Balestra, e fez um apelo para que o Palácio das Esmeraldas priorize a aliança entre tucanos e pepistas para a disputa de 5 de outubro pela Prefeitura.

Segundo a pesquisa, realizada entre os dias 6 e 9, Iris lidera a corrida ao Paço, com 58,6% das intenções, seguido bem atrás pelo senador Demóstenes Torres (DEM), com 9,9%, e pelo deputado federal Sandes Júnior (PP), com 7,2%. O presidente da Agetur, Barbosa Neto, tem 6,4%, acompanhado por Raquel, que tem 6%. Os outros candidatos somam 2% e os eleitores que votariam em branco, nulo ou não têm candidato, 10%. A margem de erro é de 4,38 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

O crescimento de Iris vem na esteira da decisão do PT de Goiânia de apoiar a candidatura do peemedebista à reeleição. Já a piora no desempenho dos quatro principais nomes da base aliada estadual _ além de Raquel, Barbosa, Demóstenes e Sandes _ coincide com período de pouca movimentação na coalizão em torno da sucessão ao Paço, marcada pelo distanciamento do governador do processo de afunilamento.

Reação
No PSDB, o quadro se agravou com a articulação de vereadores do partido pela formação de uma coligação com o PMDB para a disputa pela Câmara de Goiânia caso os tucanos não tenham candidato a prefeito. No encontro de ontem, o PSDB se antecipou à movimentação de sua bancada no Legislativo e afirmou que a coligação não será aprovada pela executiva metropolitana. “Não há a mínima possibilidade de aceitarmos isso”, disse Olier.

Na reunião, ficou acertado que Raquel intensificará o diálogo com os vereadores e com outros pré-candidatos tucanos à Câmara. A preocupação é evitar o aumento do desgaste da candidatura da deputada no partido e na base aliada. Raquel já enfrenta resistências no PP, no PR e no PSB. O próprio Olier vai atuar como bombeiro junto aos vereadores. No PP, pesa contra a deputada a decisão dela de deixar o comando da Secretaria da Cidadania, no ano passado, dois meses após assumir o cargo.

“Iris está só na disputa e (os partidos da base) estamos batendo cabeça”, disse Olier ontem à reportagem. O presidente do PSDB diz que falta sintonia no discurso dos partidos da base aliada, que Alcides e o senador Marconi Perillo (PSDB) precisam superar as diferenças para que a candidatura da base tenha sucesso e o governador, se posicionar sobre a sucessão em Goiânia.

Os argumentos do dirigente tucano, que é chefe do gabinete de trabalho de Alcides na Governadoria, aparentemente não encontram respaldo no secretário político do palácio. Balestra disse que não há indisposição entre Marconi e Alcides e que o governador espera que os pré-candidatos cheguem a um acordo que garanta a unidade.

Barbosa diz que os números da pesquisa “apenas refletem a realidade que Iris quer esconder: que o prefeito é o único candidato lançado à corrida pelo Paço”. “Falta o contraponto”, afirmou, negando, quando perguntado, se já se considera candidato a prefeito. “Estou avaliando os cenários”, afirmou. A reportagem apurou que Barbosa gravou pílulas para a propaganda partidária com críticas à administração de Iris e consultou técnicos sobre a eficiência de obras como o viaduto da Praça do Ratinho. A interlocutores, disse que “o limite do tempo (para decidir se será candidato) está chegando”.

Sandes concorda com Barbosa que o bom desempenho de Iris é resultado da ausência de um contraponto à administração. “O eleitor só começa a pensar na disputa quando o horário eleitoral no rádio e na televisão começar”, diz. Demóstenes tem dito que só será candidato se tiver o respaldo da base aliada e do governador. Ele ainda não foi confirmado na disputa pelo DEM.

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