| ESCÂNDALO Pedida quebra de sigilo de ONG
São Paulo _ A Polícia Federal pediu a
quebra dos sigilos bancário e fiscal das ONGs Meu Guri e Instituto Brasileiro de
Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador _ Luta e
Solidariedade. As duas entidades ligadas à Força Sindical são suspeitas de terem
recebido dinheiro do esquema de cobrança de propinas para liberação de empréstimos
junto ao BNDES investigado pela Operação Santa Teresa.
No pedido, o delegado Rodrigo Levin, que chefia a operação,
alega que as duas ONGs movimentaram grandes somas do BNDES e receberam dinheiro de alguns
dos envolvidos no esquema. A PF desconfia que as ONGs tenham sido usadas para movimentar
dinheiro da quadrilha.
O Centro de Atendimento Biopsicosocial Meu Guri, presidido
por Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho
(PDT-SP), recebeu R$ 1,3 milhão do BNDES. A maior parte dos recursos foi liberada em 2002
e 2003, quando o lobista João Pedro de Moura, ex- assessor de Paulinho, era conselheiro
do BNDES indicado pela Força Sindical.
O Meu Guri também recebeu R$ 6 milhões do Ministério do
Trabalho, cujo titular, Carlos Lupi, é do PDT, assim como o deputado Paulinho.
Além disso, a PF encontrou o recibo de um depósito de R$
37,5 mil feito por João Pedro para a ONG. Os investigadores desconfiam que o dinheiro
pode ter saído do esquema de cobrança de propinas. João Pedro, que ainda é consultor
da Força Sindical e se apresentava como assessor de Paulinho, está preso preventivamente
desde 24 de abril. Ele é suspeito de fazer a intermediação entre a quadrilha e
prefeituras interessadas em financiamentos do BNDES.
No dia em que a operação foi deflagrada, a PF encontrou na
casa do empresário Marcos Vieira Mantovani, também preso sob a acusação de integrar a
quadrilha, o canhoto de um cheque de R$ 82 mil. O rastreamento do dinheiro mostrou que o
cheque foi parar na conta da ONG Luta e Solidariedade.
A entidade é dirigida pelo sindicalista Eleno José Bezerra.
Vice-presidente da Força Sindical, Eleno é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de
São Paulo, cuja tesoureira é justamente Elza Pereira, mulher de Paulinho e presidente do
Meu Guri.
A PF desconfia que as ONGs foram usadas para movimentar o
dinheiro das propinas. A Justiça ainda não considerou o pedido de quebra de sigilos. (Âgência
O Globo)
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