Goiânia, 13 de maio de 2008

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Pedida quebra de sigilo de ONG

São Paulo _ A Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal das ONGs Meu Guri e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisa Política, Social e Cultural do Trabalhador _ Luta e Solidariedade. As duas entidades ligadas à Força Sindical são suspeitas de terem recebido dinheiro do esquema de cobrança de propinas para liberação de empréstimos junto ao BNDES investigado pela Operação Santa Teresa.

No pedido, o delegado Rodrigo Levin, que chefia a operação, alega que as duas ONGs movimentaram grandes somas do BNDES e receberam dinheiro de alguns dos envolvidos no esquema. A PF desconfia que as ONGs tenham sido usadas para movimentar dinheiro da quadrilha.

O Centro de Atendimento Biopsicosocial Meu Guri, presidido por Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), recebeu R$ 1,3 milhão do BNDES. A maior parte dos recursos foi liberada em 2002 e 2003, quando o lobista João Pedro de Moura, ex- assessor de Paulinho, era conselheiro do BNDES indicado pela Força Sindical.

O Meu Guri também recebeu R$ 6 milhões do Ministério do Trabalho, cujo titular, Carlos Lupi, é do PDT, assim como o deputado Paulinho.

Além disso, a PF encontrou o recibo de um depósito de R$ 37,5 mil feito por João Pedro para a ONG. Os investigadores desconfiam que o dinheiro pode ter saído do esquema de cobrança de propinas. João Pedro, que ainda é consultor da Força Sindical e se apresentava como assessor de Paulinho, está preso preventivamente desde 24 de abril. Ele é suspeito de fazer a intermediação entre a quadrilha e prefeituras interessadas em financiamentos do BNDES.

No dia em que a operação foi deflagrada, a PF encontrou na casa do empresário Marcos Vieira Mantovani, também preso sob a acusação de integrar a quadrilha, o canhoto de um cheque de R$ 82 mil. O rastreamento do dinheiro mostrou que o cheque foi parar na conta da ONG Luta e Solidariedade.

A entidade é dirigida pelo sindicalista Eleno José Bezerra. Vice-presidente da Força Sindical, Eleno é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, cuja tesoureira é justamente Elza Pereira, mulher de Paulinho e presidente do Meu Guri.

A PF desconfia que as ONGs foram usadas para movimentar o dinheiro das propinas. A Justiça ainda não considerou o pedido de quebra de sigilos. (Âgência O Globo)

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