Goiânia, 13 de maio de 2008

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Dados vieram prontos da Casa
Civil, afirma assessor de tucano à PF

Brasília _ Em depoimento de cerca de três horas prestado ontem à Polícia Federal, o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes, informou ter recebido do demissionário secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, os dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Ele afirmou ao delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, que os dados vieram em duas mensagens anexadas num só e-mail, no dia 20 de fevereiro.

André disse ter ficado perplexo com os dados, os quais considerou uma espécie de ameaça velada, e os repassou ao senador, por dever funcional, segundo ele.

Hoje será a vez de Aparecido contar a sua versão. Em caráter sigiloso, o depoimento de André começou às 15h30 e se estendeu até as 18h30 na Superintendência da PF. Nem o advogado do assessor teve direito a ficar com cópia do depoimento.

Segundo André, os dados sobre os gastos da Presidência no governo FHC vieram em forma de planilha, dentro de um arquivo eletrônico. Ele disse à PF, conforme relato do advogado, que não pediu nada a Aparecido e que ficou num misto de surpresa e preocupação.

A planilha, explicou, tem 28 páginas com informações referentes a gastos do ex-presidente. Além da pasta dedicada ao ex-casal presidencial, havia outras pastas, com nomes de ex-assessores do governo FHC, como o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira e o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira. Ele informou também que conhece Aparecido desde 1991, quando os dois trabalharam juntos no governo paralelo de Lula.

A PF não deu por encerrado o episódio do dossiê com a divulgação do laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que aponta Aparecido como autor do vazamento dos dados. O objetivo da PF agora é descobrir quem mandou fazer o dossiê e com que motivação para estabelecer se houve crime. Nessa hipótese, os autores do dossiê podem ser indiciados por prevaricação e violação de sigilo funcional.

Disputa
Na CPI dos Cartões Corporativos, governistas defendem a convocação do senador Álvaro Dias e de seu assessor André Fernandes, enquanto a oposição quer ouvir a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Aparecido. Para a oposição, Dilma seria a “mentora” do dossiê _ que teria sido confeccionado a seu pedido pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra.

O deputado Nilson Mourão (PT-AC) protocolou ontem requerimento de convocação para Dias se explicar na comissão, da qual ele é um dos membros suplentes. A oposição também promete, hoje, apresentar novo requerimento para que Dilma preste depoimento na CPI _ já há pedidos para a convocação dos servidores envolvidos. (AE e Folhapress)

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