Goiânia,  29 a 5 de dezembro de 2008

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HÉLIO ROCHA
Que não seja pior do que o soneto

Há quase cinco anos, no dia 19 de dezembro de 2003, os então presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, José Sarney e João Paulo Cunha, promulgavam a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) referente à reforma tributária. Ou dita reforma tributária, pois essa emenda ficou pior do que o soneto, como se diz. Que não aconteça o mesmo neste final de ano legislativo com a proposta de reforma tributária que está para chegar ao plenário.

O governo está totalmente empenhado em que se decida a questão ainda neste ano, vale dizer, até o dia 18 de dezembro, último dia de funcionamento do Congresso em 2008, pois a seguir o parlamento ficará de recesso. Parece muito difícil que isto aconteça. Há propostas a favor de se votar a reforma no começo dos trabalhos de 2009.

Como já houve longa espera para a materialização dessa reforma tributária, seria melhorar esperar mais um pouco e evitar que ela seja aprovada com imperfeições e assim não corresponda ao que a realidade exige. Esta reforma tem de ser federativa para valer, contribuindo para a remoção das profundas desigualdades internas, as quais desfiguram o pacto federativo.

Título na lombada
O título dos livros impresso na lombada da capa protetora dos exemplares facilita muito identificar o livro na estante. Quem introduziu este importante detalhe nos livros foi o escritor inglês Lewis Carrol (1832-1898), autor de Alice no País das Maravilhas.

Crescer bem
Em Goiás, chegou a hora de estimular o equilibrado crescimento das pequenas e médias cidades, aproveitando-se da boa influência do florescimento agroindustrial. Cidades como Itumbiara, Catalão, Rio Verde e Jataí vão crescer. Que sejam colocadas em prática políticas lúcidas, assimilando o crescimento também das cidades um pouco menores do que essas quatro, mas dotadas de boas condições de bem-estar.

O carro da história
Indesejadas por alguns, principalmente os que as temem porque terão privilégios incomodados, as mudanças são indispensáveis quando se pretende evitar a estagnação ou mesmo o retrocesso.

São elas que produzem avanços no plano político e que determinam progressos no campo social. Elas é que fazem enfim rodar o carro da história. Por isso mesmo, são indesejáveis para os retrógrados.

Solidariedade não se compra
Solidariedade é um substantivo que tem algo em comum com felicidade e amizade: não se compra. O editorial da edição de ontem deste jornal, focado na questão da solidariedade ao povo de Santa Catarina, lembra um ponto: se não fosse uma corrente de solidariedade, Goiânia não teria vencido a luta contra as discriminações, quando ocorreu, em 1987, o acidente com o césio 137. Passando por cima dos defeitos dele, menciono o fato de que, então governador de Alagoas, Collor esteve pessoalmente em Goiânia para proclamar a sua solidariedade. Outros dois que fizeram o mesmo: o apresentador de TV Chacrinha e a atriz Betty Faria.

A força da inspiração
Um observador comum não conseguiria se motivar diante do cenário de aurora ou de poente envolvido pelo clima britânico. Mas Vinícius de Moraes, que nasceu junto a uma luminosa baía, de auroras e poentes inexcedíveis, tinha o dom de transportar a virtude da inspiração. Pois na Inglaterra conseguiu criar estes versos: “Aqui jaz o sol/ Que criou a aurora/ e deu a luz ao dia/ e apascentou a tarde/ o mágico pastor/ de mãos luminosas/ que fecundou as rosas/ e as despetalou,/ Aqui jaz o sol/ o andrógino meigo/ e violento, que/ possuiu a forma/ de todas as mulheres/ e morreu no mar.”

Pássaros e buritis
O escritor Bernardo Élis criou certa vez, em um texto, bonita imagem do cenário em que surgiu Goiânia. Mencionou o vale do Meia Ponte, a chapada, as campinas e o cerrado. E lembrou que ali apenas os buritis conversavam com os ventos e os pássaros de Deus. Que bom seria se a conversa dos buritis com os pássaros de Deus tivesse sido preservada com as transformações e o progresso que a construção de Goiânia provocou. Mas, infelizmente, não se pode colher tudo o que se deseja quando se plantam idéias ousadas, como foi o da pedra fundamental de Goiânia. Foram-se os buritis, voaram os pássaros, mas Goiânia empurrou o Estado para a frente.

FOLHETIM POLÍTICO

Passando frio – Durante seu primeiro mandato de governador, entre 1983 e 1986, o hoje prefeito de Goiânia, Iris Rezende, atendeu, certa tarde, em seu gabinete, o prefeito de um município da região Norte goiana, hoje Estado do Tocantins. Como a região é calorenta a maior parte do ano, o prefeito estranhou a temperatura do gabinete produzida pelo sistema de ar condicionado. E comentou com o governador: “Tenho dó do senhor trabalhando com este frio lascado.”

REFLEXÕES PARA A SEMANA

“Todos os pensamentos inteligentes já foram pensados; é preciso apenas tentar repensá-los.”
Goethe, poeta alemão

“Pensamentos não pagam imposto alfandegário.”
Martim Lutero, reformador religioso alemão

“Esperança de um poeta: ser como certos queijos de vale, apreciado aqui e alhures.”
H. G. Auden, poeta inglês

“O sol é novo a cada dia.”
Heráclito, filósofo grego

“Se houver Mecenas, não faltarão Virgílios.”
Marcial, poeta romano, sobre a importância do apoio às artes

“O mundo é um palco, os homens e as mulheres atores e atrizes.”
William Shakespeare, dramaturgo inglês

“Nem todos podem tudo.”
Virgílio, poeta romano

“A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras.”
Rui Barbosa, jurista e estadista brasileiro