Goiânia,  4 a 10 de julho de 2009

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HÉLIO ROCHA

Senado tem de
tirar o carnegão

Contraditório o raciocínio do presidente Lula, exposto na reunião com os senadores do PT, de que poderia a instituição padecer crise de conseqüências imprevisíveis se José Sarney sair da presidência. Pois não é a presença dele no comando da Mesa Diretora o principal fator da crise?

Carnegão é um termo feio, pois se associa a dor, pus e tecido necrosado. Mas aqui vale para uma comparação: furúnculos não se curam e não se cicatrizam sem se extirpar o carnegão.

No caso do Senado, José Sarney é como o carnegão. Sem removê-lo, não se aliviará a crise, pelo contrário, ela continuará se agravando.

Não parece ser nada bom também para o relacionamento entre os Poderes esta interferência do chefe do Executivo numa questão que diz respeito ao Senado. Não se vê isso em democracias fortes, nas quais se respeitam mutuamente os Poderes Executivo e Legislativo.

O velho mas viçoso canteiro

Computador sugere modernidade. O jargão do computador, ditado pelo idioma inglês, busca raízes, no entanto, no latim, que se supõe língua morta. São termos em inglês, mas vinculados etimologicamente ao latim, como é o caso de “enter”, “delete” e “page”, entre outros.

Muitos outros termos usados hoje no Brasil com as pessoas supondo de origem anglo-saxônica originaram-se na verdade, no mesmo canteiro idiomático no qual o português, que é língua neolatina, possui suas raízes. Canteiro que deu as flores do Lácio, para mencionarmos imagem do poeta Olavo Bilac. Chamado de língua morta, o latim na verdade não morreu, se considerarmos que se transplantou para o organismo dos outros idiomas, a fim de que estes vivessem.

Quem dá muito valor ao inglês e se horroriza a uma simples menção sobre a eterna importância do latim, na verdade não conhece bem o idioma inglês – e não sabe perceber que ele se tornou uma língua rica porque, além das fontes anglo-saxônicas, redimensionou a sua estrutura etimológica incorporando vasto vocabulário de origem latina.

Os canais do Centro-Oeste

Consolidada a recriação da Sudeco, o Centro-Oeste tem de unir as suas forças e criar canais para exigir o exercício de seu adequado papel na cena do desenvolvimento brasileiro. A formação de um bloco parlamentar seria um desses canais – um canal avançado, junto à instância federal do poder. Os Estados seriam fortalecidos e a região, em conjunto, muito mais ainda – obviedade que a falta de desejável articulação entre as forças políticas do Centro-Oeste continua ignorando. Esta articulação é objetivo que não pode mais ser protelado, sob pena de o Centro-Oeste renunciar ao seu momento histórico.

O pecado da comparação

O norte-riograndense Luiz da Câmara Cascudo, que foi um dos brasileiros mais sábios de sua geração, não gostava das comparações. “Em verdade vos digo que a comparação é o oitavo pecado mortal”, assinalou ele, em uma crônica. E mencionou muitos exemplos, como estes três que transcrevo a seguir:

1- “Duas coisas iguais e uma terceira são iguais entre si. Pode ser coisa abstrata, convencional, número, risco. Materialmente nada é igual entre si. Nem duas gotas de sangue, nem duas folhas da mesma árvore, nem dois fios do mesmo cabelo. Diferenciam-se formal e forçosamente.”

2- “Comparar-se uma civilização com outra, um país com outro, é tentar medir um cataclismo. As ondas do mar são idênticas em substância, mas nenhuma repete a forma anterior.”

2 - “No grupo humano a diversidade é infinita e descobriram que no próprio indivíduo não há dois momentos num dia em que ele esteja igual, isto é, semelhante psico e fisiologicamente ao que estava dez ou vinte horas antes.”


FOLHETIM POLÍTICO

Histórica caneta – Por proposta do goiano, empresário já falecido, José de Aquino Porto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) presenteou o então presidente Juscelino Kubitschek com uma caneta confeccionada em ouro e uma aplicação de esmeralda, com a qual ele assinou a lei que estabelecia a data de mudança da capital para Brasília: 21 de abril de 1960. Tempos depois, em 1988, como deputada federal constituinte, Márcia Kubitschek, filha de Juscelino, usou a caneta para colocar sua assinatura no texto da Constituição-Cidadã. oje a caneta está exposta no Memorial JK, em Brasília.


REFLEXÕES PARA A SEMANA

“Não acorde o problema enquanto o problema está dormindo.”
Provérbio russo

“Não ponha todos os seus ovos em uma única cesta.”
Provérbio russo

“Como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena.”
Ferreira Gullar, poeta

“Se és homem, levanta teus olhos para admirar os que empreenderam coisas grandes, ainda que tenham fracassado.”
Sêneca, filósofo romano

“Não temo o que virá pois, venha de onde vier, nunca será maior do que a minha alma.”
Fernando Pessoa, poeta português

“A cabeça é redonda para que nossos pensamentos possam mudar de direção.”
Charles Chaplin

“Um mal trabalhador culpa as ferramentas.”
Provérbio inglês