| Que não seja pior do que o soneto Há quase cinco anos, no dia 19 de dezembro de 2003, os então presidentes do
Senado e da Câmara dos Deputados, José Sarney e João Paulo Cunha, promulgavam a
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) referente à reforma tributária. Ou dita reforma
tributária, pois essa emenda ficou pior do que o soneto, como se diz. Que não aconteça
o mesmo neste final de ano legislativo com a proposta de reforma tributária que está
para chegar ao plenário.
O governo está totalmente empenhado em que se decida a
questão ainda neste ano, vale dizer, até o dia 18 de dezembro, último dia de
funcionamento do Congresso em 2008, pois a seguir o parlamento ficará de recesso. Parece
muito difícil que isto aconteça. Há propostas a favor de se votar a reforma no começo
dos trabalhos de 2009.
Como já houve longa espera para a materialização dessa
reforma tributária, seria melhorar esperar mais um pouco e evitar que ela seja aprovada
com imperfeições e assim não corresponda ao que a realidade exige. Esta reforma tem de
ser federativa para valer, contribuindo para a remoção das profundas desigualdades
internas, as quais desfiguram o pacto federativo.
Título na lombada
O título dos livros impresso na lombada da capa protetora dos exemplares
facilita muito identificar o livro na estante. Quem introduziu este importante detalhe nos
livros foi o escritor inglês Lewis Carrol (1832-1898), autor de Alice no País das
Maravilhas.
Crescer bem
Em Goiás, chegou a hora de estimular o equilibrado crescimento das
pequenas e médias cidades, aproveitando-se da boa influência do florescimento
agroindustrial. Cidades como Itumbiara, Catalão, Rio Verde e Jataí vão crescer. Que
sejam colocadas em prática políticas lúcidas, assimilando o crescimento também das
cidades um pouco menores do que essas quatro, mas dotadas de boas condições de
bem-estar.
O carro da história
Indesejadas por alguns, principalmente os que as temem porque terão
privilégios incomodados, as mudanças são indispensáveis quando se pretende evitar a
estagnação ou mesmo o retrocesso.
São elas que produzem avanços no plano político e que
determinam progressos no campo social. Elas é que fazem enfim rodar o carro da história.
Por isso mesmo, são indesejáveis para os retrógrados.
Solidariedade não se compra
Solidariedade é um substantivo que tem algo em comum com felicidade e
amizade: não se compra. O editorial da edição de ontem deste jornal, focado na questão
da solidariedade ao povo de Santa Catarina, lembra um ponto: se não fosse uma corrente de
solidariedade, Goiânia não teria vencido a luta contra as discriminações, quando
ocorreu, em 1987, o acidente com o césio 137. Passando por cima dos defeitos dele,
menciono o fato de que, então governador de Alagoas, Collor esteve pessoalmente em
Goiânia para proclamar a sua solidariedade. Outros dois que fizeram o mesmo: o
apresentador de TV Chacrinha e a atriz Betty Faria.
A força da inspiração
Um observador comum não conseguiria se motivar diante do cenário de
aurora ou de poente envolvido pelo clima britânico. Mas Vinícius de Moraes, que nasceu
junto a uma luminosa baía, de auroras e poentes inexcedíveis, tinha o dom de transportar
a virtude da inspiração. Pois na Inglaterra conseguiu criar estes versos: Aqui jaz
o sol/ Que criou a aurora/ e deu a luz ao dia/ e apascentou a tarde/ o mágico pastor/ de
mãos luminosas/ que fecundou as rosas/ e as despetalou,/ Aqui jaz o sol/ o andrógino
meigo/ e violento, que/ possuiu a forma/ de todas as mulheres/ e morreu no mar.
Pássaros e buritis
O escritor Bernardo Élis criou certa vez, em um texto, bonita imagem do
cenário em que surgiu Goiânia. Mencionou o vale do Meia Ponte, a chapada, as campinas e
o cerrado. E lembrou que ali apenas os buritis conversavam com os ventos e os pássaros de
Deus. Que bom seria se a conversa dos buritis com os pássaros de Deus tivesse sido
preservada com as transformações e o progresso que a construção de Goiânia provocou.
Mas, infelizmente, não se pode colher tudo o que se deseja quando se plantam idéias
ousadas, como foi o da pedra fundamental de Goiânia. Foram-se os buritis, voaram os
pássaros, mas Goiânia empurrou o Estado para a frente.
FOLHETIM POLÍTICO
Passando frio Durante seu primeiro
mandato de governador, entre 1983 e 1986, o hoje prefeito de Goiânia, Iris Rezende,
atendeu, certa tarde, em seu gabinete, o prefeito de um município da região Norte
goiana, hoje Estado do Tocantins. Como a região é calorenta a maior parte do ano, o
prefeito estranhou a temperatura do gabinete produzida pelo sistema de ar condicionado. E
comentou com o governador: Tenho dó do senhor trabalhando com este frio
lascado.
REFLEXÕES PARA A
SEMANA
Todos os pensamentos inteligentes
já foram pensados; é preciso apenas tentar repensá-los.
Goethe, poeta alemão
Pensamentos não pagam imposto
alfandegário.
Martim Lutero, reformador religioso
alemão
Esperança de um poeta: ser como
certos queijos de vale, apreciado aqui e alhures.
H. G. Auden, poeta inglês
O sol é novo a cada dia.
Heráclito, filósofo grego
Se houver Mecenas, não faltarão
Virgílios.
Marcial, poeta romano, sobre a
importância do apoio às artes
O mundo é um palco, os homens e as
mulheres atores e atrizes.
William Shakespeare, dramaturgo inglês
Nem todos podem tudo.
Virgílio, poeta romano
A pior democracia é preferível à
melhor das ditaduras.
Rui Barbosa, jurista e estadista
brasileiro |